• Nathanael Modesto

Prostatectomia radical aberta versus robótica: o empate continua.


O progresso científico tem levado ao desenvolvimento contínuo das tecnologias aplicadas à saúde. Dentre os grandes avanços da última década está a cirurgia laparoscópica com auxílio de robô, utilizada em diversas especialidades cirúrgicas como a urologia, coloproctologia, ginecologia, cirurgia torácica, entre outras. Devido ao seu alto custo, a cirurgia robótica ainda é pouco acessível à população geral em países pobres ou em desenvolvimento como o Brasil. Em países desenvolvidos como Estados Unidos sua aplicação já é uma realidade bem consolidada. Na urologia uma das suas grandes aplicações está nas cirurgias para tratamento de câncer de próstata, a prostatectomia radical.

Nesse contexto é fundamental comparar o uso do robô com a cirurgia convencional aberta, amplamente realizada em todo o mundo, acessível a todos e de baixo custo. Diversos estudos têm tentado avaliar comparativamente os desfechos dessas modalidades de tratamento cirúrgico em relação ao controle da doença, complicações precoces e tardias, qualidade de vida, custos, etc.

O estudo mais completo e de melhor qualidade científica já realizado sobre o tema foi publicado em julho de 2018 na revista Lancet. Nesse estudo observou-se que não há superioridade de uma modalidade sobre a outra. Os resultados funcionais e oncológicos foram semelhantes aos 6, 12 e 24 meses, mostrando o beneficio de ambas as técnicas mesmo em longo prazo, quando realizadas por cirurgiões experientes. No entanto vale ressaltar que 2 anos ainda é um tempo pequeno quando se trata de câncer de próstata e novos estudos continuam sendo necessários para melhor entendimento do assunto.

Em favor da cirurgia aberta continuam o benefício no controle do câncer de próstata, ótimos resultados funcionais, menor custo e maior acessibilidade. Em favor da cirurgia robótica há uma menor taxa de sangramento e possivelmente menor tempo de internamento hospitalar. Fatores que dificultam o uso dessa tecnologia ainda estão o seu alto custo e menor acessibilidade a grande parte dos cirurgiões e pacientes.

Diante desses fatos concluímos que todos ganham com o desenvolvimento das tecnologias aplicadas à saúde. No futuro o seu custo se tornará mais baixo, o que facilitará a difusão do robô em todas as regiões do país e o tornará acessível aos cirurgiões e pacientes. Esse será o futuro da cirurgia minimamente invasiva na urologia. Enquanto isso a grande maioria dos pacientes com câncer de próstata podem continuar contando com os benefícios e a segurança da prostatectomia radical convencional aberta. Acima das modalidades cirúrgicas está a experiência e capacidade técnica do cirurgião.

Fonte:

https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(18)30357-7/fulltext

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